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quinta-feira, 26 de julho de 2007

" Elas fizeram greves de braços caídos. Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à juntas. Elas gritaram à vizinha que era fascista. Elas souberam dizer salário ígual e creches e cantinas. Elas vieram para a rua de encarnado. Elas foram pedir para ali uma rua de alcatrão e canos de água. Elas gritaram muito. Elas encheram as ruas de cravos. Elas disseram à mãe e à sogra "que isso era dantes!" Elas trouxeram alento aos quartéis e à rua. Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo. Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra. Elas choraram de ver o pai guerrear com o filho. Elas tiveram medo. E foram. E não foram. Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas. Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa. Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa , a ver como podia ser sem os patrões. Elas levantaram o braço nas grandes assembleias. Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos. Elas disseram à mãe " segure-me aqui nos cachopos, que a gente vai a Lisboa dizer-lhes como é!" Elas vieram dos arrabaldes ocupar uma parte de casa fechada. Elas estenderam roupa a cantar com as armas que temos na mão. Elas diziam "tu" às pessoas que tinham estudos e aos outros homens. ELAS IAM E NÃO SABIAM PARA ONDE .... MAS IAM. Elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café resfriado. São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas"

MARIA VELHO DA COSTA
Publicada por rita em
Quinta-feira, Abril 05, 2007 4 comentários



A Sociedade das Flores disse...
Onde andam elas agora?
5 de Abril de 2007 14:12

rita disse...
agora? não as vês?
6 de Abril de 2007 5:36

Silvares disse...
Bom, na verdade, acho que a maioria dessas mulheres, se não morreram, pelo menos andam escondidas. Ou então foram ao shopping center e ficaram parecidas com as da imagem. Camufladas.
9 de Abril de 2007 18:02

rita disse...
Eu acho que elas abriram caminho, ás da imagem, ás dos camuflados e ás que têm carreiras profissionais. E tambêm ás que votam e decidem. E algumas morreram e é natural, e outras não...e vivem.
13 de Abril de 2007 1:22

Post Original no Blogue "Não sei para onde vou mas estou a caminho"

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Querido Blogue:



Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

PETIT: Nunca deixaste de fazer nada por mim?
AVA: Nunca.
PETIT: Mas fazes muita coisa por mim?
AVA: Tudo
PETIT: és feliz?
AVA: Se tu fores…
PETIT: Se te fizer…
Abraçam-se
PETIT: E o papá?
AVA: Também...



Publicada por Ana Nave em
Quarta-feira, Abril 04, 2007



1 comentários:
cartolas disse...
tão bonito...

Sara Afonso
18 de Maio de 2007 12:34



Post Original no Blogue "Não sei para onde vou mas estou a caminho"

A Caminho


Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

Querido blogue:
"A dança não deve ser apenas interessante ou bonita. Mas tem de se relacionar connosco. Temos de dar atenção aos sentimentos, àquilo que desejamos e que queremos, ao nosso sofrimento. Pessoas normais como nós, partilham esses sentimentos e há um lugar para os sentir juntos."


Pina Bausch em entrevista ao Público, hoje, a propósito do espectáculo, esgotadissimo, Para as crianças de ontem.


"A criatividade não é apenas uma boa ideia, é o Futuro"
Matisse

Publicada por Ana Nave em Quarta-feira, Abril 04, 2007

1 comentários:
rita disse...
Ama-me como sou.
6 de Abril de 2007 4:18

Post Original no Blogue "Não sei para onde vou mas estou a caminho"




O Texto

Terça-feira, 3 de Abril de 2007

RUTH: Então agora vou dizer… esta situação. Houve um dia à beira rio, em que eu estava com o Harold numa manhã assim de sol, já tinha sido madrugada. Sentados… num canteiro, com o meu casaco por cima das cabeças…Eu senti uma coisa que é uma coisa, que é assim …agora estou aqui debaixo deste céu, com este homem, e nada de mau na minha vida, no mundo pode acontecer, isto é uma coisa que é, … não sei explicar isto…
AVA e RUTH terminam as frases uma da outra
AVA: E vê-lo dormir e a pensar…
RUTH: … Já o conheço tão bem que já faz parte de mim…
AVA: …as pálpebras demasiado brancas, ele está a dormir tem as pálpebras demasiado brancas…
RUTH: …e ficar a olhar para uma pessoa a dormir é uma coisa muito… íntima…
AVA: …e poderosa…Ali completamente desprotegido
RUTH: …é uma coisa especial…
AVA: …Tu nunca olhas tanto tempo… tu nunca tens tempo para olhares tanto tempo para ninguém que não te está a dar sinais, que não te está a dar nenhum sinal que está completamente…
RUTH: … Tudo o que tu sentes a olhar para uma pessoa a dormir, é que está tudo bem…
AVA: … a pessoa está …
RUTH: …ali…
AVA:... contigo. Dependente
RUTH: de ti Pausa
RUTH: Estás a ver esta liberdade? Estou debaixo deste céu e não há nada de mal que me possa acontecer, estou aqui com ele
Silêncio

Publicada por Ana Nave em
Terça-feira, Abril 03, 2007

Post Original no Blogue "Não sei para onde vou mas estou a caminho"

terça-feira, 24 de julho de 2007

Espectáculo em Construção


Publicada por Ana Nave em Terça-feira, Abril 03, 2007
Silvares disse...
Blue Velvet...
4 de Abril de 2007 17:09


(Post Original no Blogue "Não sei para onde vou mas estou a caminho")

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Nós Por enquanto


Umas vezes mais, outras menos, frequentemente continuamos a encontrarmo-nos. Trocamos e-mails, livros, Cd´s e filmes. Falamos das nossas viagens, de países, de continentes e gentes.
Uma, visitou o convento de Mafra, desventrado bastião absolutista e andamos numa de história de Portugal. Não tínhamos a mesma idade em 1974.
Ouvimos música e música Portuguesa. Poetas.
Uma, conseguiu ir ao festival de Edimburgo. Recomendamos espectáculos de teatro outros nem por isso. Procuramos peças contemporâneas.
Pesquisamos. Novas linguagens. Inventamos. Encontramo-nos em autores. Estudamo-los.
Uma, o ano passado traduziu a peça do Irvine Welsh. Juntamo-nos com outros actores, músicos, pintores, figurinistas, cenógrafos, luminotécnicos, tradutores, dramaturgos, argumentistas, guionistas e outros. Procuramos sentidos. Levámos espectáculos a cena. Fazemos projectos.
Discutimos política, mas nunca futebol. A linguagem dominante é masculina.
Em Portugal referenda-se, mais uma vez, a despenalização da interrupção da gravidez por opção da mulher. Empenhamo-nos no direito de opção da mulher.
Agora somos três mulheres. Descobrimos o nosso sexo, ou mais correctamente, o género. Rimo-nos.
Não somos feministas. Não queremos ser iguais aos homens. Temos tempos diferentes e temos de ter direitos, também. Não nos orgulhamos de ser mulheres, porque isso não se escolhe. Orgulhamo-nos de muitas outras coisas.
Publicada por Ana Nave em Sábado, Março 31, 2007

2 comentários:
rita disse...
É de vê-las juntas quando riem, quase sempre.
Digo eu,um certo Jorge.
4 de Abril de 2007 1:45
Celia disse...
Uma em 1974 ainda não era nada de nada :)...
8 de Abril de 2007 0:02


Post Original no Blogue "Não sei para onde vou mas estou a caminho"