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sexta-feira, 10 de setembro de 2010
sábado, 5 de setembro de 2009
O que há em mim é Sobretudo Cansaço

Querido Umbigo:
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Ofício de Viajante

Amiga "Amesterdesa" fugidia", e para que não restem dúvidas:
- o poema é para ti;
- estou sempre por aqui, mesmo quando estou numa porta ali ao lado :);
- diz-me coisas;
- quero muito ver-te;
- sorrisos.
Ofício de Viajante
"procurei dentro de ti o repercutido som do mar
"procurei dentro de ti o repercutido som do mar
a voz exacta das plantas e um naufrágio
o deslizar das aves, o amor obsessivo pelos espelhos
o rumor latejante dos sonhos, as cores de um astro explodindo
cume nevado da montanha
difíceis rios, os dias
Vivi talvez em Roma
no tempo em que ali chegavam os trilhos da Secília
e os vinhos raros das ilhas
a fama remota dos ladrões de Nuono
Todo o meu corpo estremeceu ao mudar de voz
Cresci com o rapaz, embora nunca tivéssemos sido irm\aos
e quando ficámos adultos para sempre
alguém lhe ofereceu o ofício de viajante
eu morri perto de Veneza
e quando atirava pedras aos pássados sempre me ia lembrando de ti"
al berto
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domingo, 24 de fevereiro de 2008
How To Tell One Country From Another

Querido Umbigo:
Wheter it is possible to become lost.
Wheter one tree looks like another.
Wheter there is water all around the edges or not.
Wheter there are edges or wheter
there are just insects.
Wheter the insects bite,
wheter you would die,
from the bites of the insects.
Wheter you would die.
Wheter you would die for your country.
Wheter anyone in the country would die for your country.
Let's be honest here.
A layer of snow, a layer of granite, a layer of snow.
What you think lies under the snow.
What you think lies.
Wheter you think white on white is a state of mind
or blue on blue or green on green.
Wheter you think there is a state,
of mind.
How many clothes you have to take off
before you can make love.
This I think is important:
The undoing of buttons, the gradual shedding
of one colour after another. It leads
to the belief that what you see is not
what you get!
Wheter there are preliminaries,
hallways, vestibules,
basements, furnaces
between sentences, between pieces
of furniture, parasites in your eyes,
drinkable water.
Wheter there has ever been
an invading army.
Wheter, if there were an invanding army,
you would collaborate
Poor boy, you'd say, he looks cold
standing out there, and he's only twenty,
from his point of view this must be hell.
A fur coat is what he needs,
a cup of tea, a cup of coffee,
a warm body.
Wheter on the contrary
you'd slit his throat in his sleep
or in yours, I ask you.
So, you are a nice person.
You would behave well.
What you mean behaving well.
when the outline of a man
whose face you cannot see
appears at your bedroom window,
wheter you would shoot.
If you had a gun, that is.
Wheter you would have a gun.
It goes on.
Margaret Atwood
Este é um dos meus mais queridos poemas de sempre, recuperado à pouco tempo de um dos meus milhares de cadernos...
E o que me apetecia mesmo era ir perder-me num país, qualquer país onde fosse porssível perder-me, ou então como a Alice, ia perder-me no país das maravilhas...
E o que me apetecia mesmo era ir perder-me num país, qualquer país onde fosse porssível perder-me, ou então como a Alice, ia perder-me no país das maravilhas...
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